quarta-feira, 2 de março de 2011

Orkut - CUIDADO !!!


CUIDADO!!!!
LUIZ NETO

Após deixar seus livros no sofá ela decidiu fazer um lanche e ir para a internet. Conectou-se com o seu apelido: “Docinho14”. Revisou sua lista de amigos e viu que “Meteoro123” estava conectado.Docinho14: Oi. Que sorte que vc está aí! Pensei que alguém me seguia na rua hoje. Foi esquisito! Meteoro123: rsrsrsrsrs. Vc assiste muita TV. Por que alguém te seguiria? Vc não mora em um bairro seguro? Docinho14: Com certeza, rsrsrsrss. Acho que imaginei porque não vi ninguém quando me virei. Meteoro123: A menos que vc tenha dado teu nome online... Vc não fez isso, né? Docinho14: Claro que não. Não sou idiota, vc já sabe. Meteoro123: Você jogou vôlei depois do colégio hoje? Docinho14: Sim e ganhamos! Meteoro123: Ótimo! Contra quem? Docinho14: Contra as “Florzinhas” do Colégio Família Feliz, rsrsrsrssss. Os uniformes daquelas meninas são um nojo! Meteoro123: E o seu time? Como chama? Docinho14: Somos as “Gatinhas”. Temos garras nos uniformes... São muito legais. Meteoro123: Você joga no ataque? Docinho14: Não, sou levantadora. Tenho que sair agora. Vou fazer minha tarefa de casa antes que meus pais cheguem. Não quero que fiquem bravos. Tchau! Meteoro123: Falamos mais tarde. Tchau.Docinho14 deixou o chat. Meteoro123 foi ao menu de membros e começou a buscar dados sobre o perfil dela. Quando conseguiu, copiou e imprimiu. Pegou uma caneta e anotou o que sabia de Docinho14: nome real, Tamíres; aniversário: janeiro 3, 1993; idade, 13; cidade onde vive, Santa Antônia, PR; passatempos: vôlei, inglês, natação e passear nas lojas.Sabia que ela ficava sozinha todos os dias até 18h30, até que os pais voltassem do trabalho. E que o vôlei acontecia nas quintas-feiras à tarde com o time do colégio, “Gatinhas”. O número favorito, o 14, estaria estampado na sua jaqueta e até, no codinome da internet. Série escolar: oitava, no Colégio Antena. Tudo havia sido “trocado” nas conversas on-line.Já tinha informação suficiente para encontrá-la. Tamíres não contou a seus pais sobre a impressão de que alguém a seguia, na volta da escola. Não queria que brigassem com ela ou que a impedissem de voltar caminhando. Na quinta-feira já tinha se esquecido do assunto. Um novo jogo de vôlei estava lá pelo meio quando sentiu que alguém a observava. Viu um homem. Ele estava na arquibancada do ginásio e sorriu quando seus olhares se encontraram. Não parecia alguém a quem temer e rapidamente fugiu o medo que sentia. Depois do jogo, ele se pôs a observá-la mais detidamente enquanto ela falava com o treinador. Ela percebeu. Ele acenou com a cabeça e ela devolveu o sorriso. Entendeu que estivesse sendo cumprimentada pela boa performance no jogo daquele dia. Ele conferiu seu nome nas costas da camiseta. Silenciosamente a seguiu quando ela tomou o rumo de casa. Eram poucas quadras. Certificou-se de onde ela morava e voltou ao parque para pegar seu carro. Tamíres estava em seu quarto quando ouviu vozes na sala. Seu pai a chamou. Parecia perturbado e ela não imaginava o porquê. Entrou na sala e gelou: lá estava aquele homem, sentado no sofá. “Sente-se aí”, ordenou seu pai. “Este senhor acaba de me contar uma história muito interessante sobre você”. Tamíres gelou. Colocou-se a pensar. Como aquele estranho poderia saber algo sobre ela? “Sabe quem sou eu?”, perguntou o homem. “Não”, respondeu. “Sou Meteoro 123, seu amigo dos chats”. Ela disse: “Impossível. Meteoro 123 é um menino de 14 anos e mora em Minas Gerais”. O homem sorriu e disse: “Sei que eu disse isso a você nos chats, mas nada era verdade. Me fiz passar por um garoto. Há aqueles que fazem isso para machucar crianças e jovens mas eu não. Sou um policial que trabalha para proteger. Vim até sua casa para ensinar que é muito perigoso falar on-line. Você me contou o suficiente para que eu pudesse achá-la... Me deu nome da sua escola, do seu time e em que posição você joga. Pude encontrá-la rapidinho”.Tamíres tremeu. “Quer dizer então que não mora em Minas Gerais?”. “Não”, disse ele. “Moro na mesma cidade que você mora. Você se sentiu segura achando que eu morava longe, né? Eu tinha um amigo cuja filha era como você. Só que ela não teve sorte. O cara com quem correspondia a encontrou e a matou enquanto estava sozinha. Ensinamos as crianças e jovens a não dizer para ninguém quando estão sós, mas vocês acabam dando dicas o tempo todo, pela internet. Antes que você perceba, já contou o suficiente para que possam encontrá-la. Espero que você tenha aprendido esta lição. E que conte a seus amigos o que podia ter acontecido com você”. LER EM FAMÍLIAEste texto corre pela Internet. A versão original foi realmente distribuída por um policial do Paraná, que integra grupo voluntário de investigadores civis, dedicado a rastrear pedófilos em chats. O problema é gravíssimo e deve ser levado a sério. Editei nomes, localidades e situações para adaptar seu conteúdo ao dia-a-dia de menores que dedicam muito tempo aos sites de relacionamento e não têm os pais por perto. Espero que o conteúdo possa ser lido em família, meditado e compreendido. E que os jovens não me queiram mal por dizer que ainda não têm a experiência capaz de lhes permitir se safar das pessoas más que estão por aí, muito mais perto do que podem imaginar.AOS FILHOSSe pedirem número de RG e CPF nos sites de relacionamento, negue. Se receber mensagem com solicitação de endereço para receber um prêmio especial como “usuário número cem mil”, não aceite. Da mesma forma, não acredite em fotos que os integrantes dos chats enviam. E, principalmente, não dê números de telefones para contato fora do site. Se tiver dúvida sobre qualquer assunto proposto, converse com seus pais. AOS PAISNão atormentem. Confiem. Transformem os filhos em amigos. Naveguem com eles. Isso corresponde hoje aos livros que pais e filhos liam juntos há várias décadas. Se você não se modernizar nem se aproximar de seu garoto ou garota, risos não praticados ou “prensas” não dadas porque você não tem tempo hoje, podem se transformar em tristezas impossíveis de contornar, amanhã. Reveja seus conceitos. Este mundo tende a ficar pior se você não fizer nada. Luiz NetoJornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

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